Editorial

O POPULISMO!

A escola de formação política, desenhada no seio do ambiente partidário, alinha a sua ação numa perspetiva de moldar os jovens debutantes na sua iniciação política à matiz ideológica que sustenta a orientação do partido na sua influência sociopolítica junto do povo.

Os jovens, que se dispõem seguir a carreira política, começam a sua atividade nos organismos juvenis onde recebem orientações e ensinamentos para o exercício político. As associações juvenis, ligadas aos partidos, têm fabricado gente com apetência política para influenciar os mais incautos nas propostas que apresentam com algum sabor a demagogia.

Na escala de valores, alguns jovens sortudos vão ascendendo a níveis de projeção sociopolítica à velocidade cósmica dos meteoritos que vagueiam pelo universo. Arribando às cadeiras do poder traçam logo directrizes e bases de influência junto do povo que os rodeia.

No tempo que corre, temos observado comportamentos políticos que indiciam uma preocupação constante de absorver o povo. É o populismo na sua verdadeira essência, caracterizado pela intervenção sistemática dos líderes populistas junto das massas, quando organizadas para desenvolver desinteressadamente ações de âmbito cívico. É a prática política que busca o apoio popular através de medidas que, aparentemente, são favoráveis ao povo.

O líder populista procura estabelecer um vínculo emocional com o povo. Assim, o “povo”, como categoria abstrata, é colocado no centro da ação política, independentemente dos canais próprios da democracia representativa.

A política populista caracteriza-se menos por um conteúdo determinado do que por um “modo” de exercício do poder. Sua característica básica é o contato direto entre as massas urbanas e o líder populista, supostamente sem a intermediação de partidos ou corporações. Para ser eleito e governar, o líder populista procura estabelecer um vínculo emocional com o “povo”. Isso implica num sistema de políticas ou métodos para o aliciamento das classes sociais de menor poder aquisitivo, além da classe média urbana, como forma de angariar votos e prestígio através da simpatia do povo. É este o mecanismo mais representativo do modo de governar dos líderes populistas.

 

Abílio Batista

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